O Tao do Scrum

Este post trata de mais uma analogia buscando o entendimento da relação entre o desenvolvimento de sistemas, metodologias em geral e Scrum.

Começo este texto com citações de Bruce Lee:  http://en.wikiquote.org/wiki/Bruce_Lee

Don’t get set into one form, adapt it and build your own, and let it grow, be like water. Empty your mind, be formless, shapeless — like water. Now you put water in a cup, it becomes the cup; You put water into a bottle it becomes the bottle; You put it in a teapot it becomes the teapot. Water can flow or it can crash. Be water, my friend.”

“Do not deny the classical approach, simply as a reaction, or you will have created another pattern and trapped yourself there.” — Tao of Jeet Kune Do

Bruce Lee ficou muito famoso através de suas aparições no cinema americano em que retrata artes marciais de forma realística pela primeira vez no Ocidente. Na época as artes marcias orientais eram muito restritas no ocidente e a participação de Bruce Lee nas telonas gerou um grande furor e consequente interesse nunca antes visto pelas culturas orientais.

Além de conhecer profundamente artes marciais, Bruce estudou filosofia na Universidade de Washington. Era um perfeccionista, e parecia buscar para sua própria vida um desenvolvimento mental e um desenvolvimento físico compatível.

Através de sua filosofia fica fácil entender porque ele é considerado o “artista marcial” mais influente do século 20.

Antes da criação das artes marciais, o homem em conflito tinha que agir de forma livre nos combates corpo-a-corpo. Os instintos eram dominantes quando o treinamento não existia. As artes marciais surgiram através de estudos dos movimentos de animais e do corpo humano. Buscava-se eficiência, conhecimento do corpo e controle.

A “era” das artes marciais trazia consigo uma forma de combate e uma forma de ensino. Junto com o conhecimento obtido do corpo e de seus movimentos e capacidades veio o formalismo e as doutrinas.

Com o tempo, as diferentes artes marciais (conhecidas hoje e já extintas) passaram a se basear em formas sólidas, se tornaram sequências pré-estabelecidas de movimentos. Se tornaram quase coreografadas e viraram dogmas. Os diferentes estilos eram comparados e cada clã defendia a sua forma de agir e mover.

Quando Bruce Lee cria o Jeet Kune Do, ele propõe uma quebra nas formas fixas, ele propõe no Ocidente que se utilize nas artes marciais aquilo que funcione, que seja eficiente, e não o que seja dogmático. Ao criar o Jeet Kune Do, Bruce mistura as artes marciais que estudou tentando criar a arte marcial definitiva.

Quando caras geniais como  Ivar Jacobson Grady Booch  James Rumbaugh criaram UML e RUP de certa forma eles buscavam o mesmo que Bruce. RUP deveria ser a forma definitiva de se desenvolver sistemas.

Acontece que com Bruce a história acabou sendo diferente. Em pouco tempo Bruce levou a filosofia para os seus próprios movimentos. Bruce concluiu que qualquer arte marcial, incluindo o Jeet Kune Do, solidificava o homem e que, portanto o limitava na hora do combate. Não havia fórmulas que fossem suficientes. Era necessário conhecer o próprio corpo e mente profundamente. Era necessário adaptar os movimentos às necessidades sempre, e não o contrário.

Bruce desejava ser como a água! Adaptável a qualquer situação. De certa forma, Scrum busca isso. Scrum prega a adaptação, e auto-inspeção. Ao mesmo tempo em que não solidifica como devemos nos mover nos pede que façamos o melhor que podemos. Por isso, Scrum não é uma metodologia, e sim um framework. O que é buscado é justamente o espaço para que possamos adaptar os nossos movimentos ao combate que se apresenta na nossa frente.

Em contrapartida, a rejeição pura e simples das artes marciais não vão te levar a conhecer mais as capacidades de movimento e ação que o corpo humano proporciona. Da mesma forma, a fuga deste conhecimento pré-existente nos solidifica e impede o crescimento.

Ninguém começa a lutar de forma eficiente sem forma ou método. Para se desenvolver um alto nível de excelência as formas e métodos são necessários. Deve-se estudá-los e conhecê-los, ao mesmo tempo procurando ficar livres deles.

Assim, Scrum é o fundo libertário de quem conhece as suas práticas e métodos. Sabe usar diferentes métodos conforme as necessidades. Afinal, conhecendo a capacidade do corpo, o braço tem suas formas de movimento. As pernas não chutam em qualquer forma. A liberdade é limitada pelo que temos ao nosso dispor, pela nossa realidade.

One Response to “O Tao do Scrum”

  1. The Tao of Scrum (refactored) « Blog Agile VO Says:

    […] reminded me of an earlier post of mine in Portuguese: “O Tao do Scrum“ where I talk about the similarities between Bruce Lee’s philosophy and […]

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